Descubra como com as arquitetas Luiza Montemor e Carol Shiroma

Os estabelecimentos de saúde devem estar atentos ao cumprimento das exigências legais em torno deste tema.

Em dezembro de 2000 foi sancionada a lei 10.098, conhecida como lei da acessibilidade, que posteriormente em dezembro de 2004, após uma revisão da NBR (norma brasileira), as leis 10.048 e 10.098 foram regulamentadas pelo Decreto 5296 e as normas e critérios de acessibilidade na arquitetura passaram a ser estabelecidas por ela.

A partir de uma nova atualização da Norma, com a ABNT 9050, de 2015, o conceito de mobilidade reduzida foi ampliado para idosos, gestantes e obesos.

Com isso, o estabelecimento de saúde apenas recebe o “habite-se” ou o alvará sanitário caso esteja dentro das normas de acessibilidade previstas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas a ABNT 9050 citada anteriormente.

Mais que uma exigência legal, garantir o acesso de todos os possíveis pacientes, com deficiência ou não, é um cuidado e respeito fundamental com a qualidade de vida de todos e é um dever garantir o direito de receberem um atendimento capaz de promover, proteger e recuperar a saúde.

Com isso em mente as arquitetas Carol e Luiza da Shiroma e Montemór selecionaram as barreiras mais comuns que costumam impedir que um ambiente seja acessível a todos e algumas dicas de como incluir a acessibilidade, porém se você precisa tornar sua clínica e consultório um local acessível o ideal é que contrate uma empresa de engenharia e arquitetura especializada neste tipo de projeto e na ABNT 9050. Assim você garante que todas as exigências legais serão atendidas. Inclusive é muito comum que escritórios de arquitetura/interiores contratem empresas especializadas na aplicação da norma para assessorar em projetos que tem a acessibilidade como ponto vital.

O dimensionamento de toda a construção ou ambiente deve ser o primeiro fator considerado. Mas sabemos que nem todas as clínicas são construídas totalmente do zero e sim geralmente instaladas em imóveis existentes, podendo passar por uma reforma. Se possível dê preferência para um local que consiga passar pela adaptação mais facilmente.

 

6 dicas de como incluir a acessibilidade:

1) Espaços de circulação

Resumidamente, um consultório acessível deve oferecer circulação de largura mínima de 90 cm e altura de 2,10 m, além de vãos de porta de no mínimo 80 cm e diâmetro de 1,50 m para manobras de cadeiras de rodas em 360º em qualquer ambiente. Para conversões de 90º, os corredores devem ter 1,20 m de largura.

2) Acessos

Rampas, plataformas e elevadores facilitam a locomoção dentro e fora das estruturas, mas devem estar disponíveis todo o tempo e não podem exigir um deslocamento ou afastamento dos outros acessos. A passagem deve ser, também, uma rota de fuga próxima a todas as áreas, sem dificultar a saída. No caso de rampas, a inclinação deve ser pequena, com largura mínima de 1,20 m, piso antiderrapante, patamares no início e no final, além de corrimão duplo para apoio e suporte.

3) Pisos

O piso deve ser regular, firme, estável e antiderrapante sob qualquer condição, não provocando trepidação em dispositivo com rodas como cadeiras ou carrinhos de bebê.

4) Instalações elétricas e hidráulicas

As principais orientações são para que as tomadas sejam instaladas a 45 cm do chão e os interruptores a, no mínimo, 90 cm do chão. Já as bancadas com torneiras devem estar a 85 cm do piso, em média. A instalação de pias e vasos no banheiro deve ser acompanhada de suportes e barras de apoio em qualquer construção.

5)Tecnologia e Automação

Investir em automação pode ser uma boa estratégia para deixar sua clínica ou consultório mais acessível, esses aparelhos promovem a segurança e a autonomia dos usuários, por meio do uso da voz, da biometria, de telas e de painéis que facilitam o controle de iluminação, de climatização, especialmente o movimento de portas e janelas.

6) Escolha dos móveis e decoração

A decoração acessível também pode ter seu charme, porém cada escolha deve ser bem avaliada se vai contribuir para facilitar a circulação nos ambientes. Tapetes e itens soltos podem atrapalhar, mas existem outros itens que podem e devem estar presentes no ambiente para acrescentar estilo ao espaço sem comprometer a acessibilidade, aposte em pintura, papel de parede, quadros, móveis fixos em marcenaria por exemplo. Ainda falando da ABNT é necessário incluir a sinalização então é interessante pensar em uma forma de incluir na decoração.

Esperamos que com essas informações você esteja preparado para se preparar para receber estes pacientes especiais que dependem das condições de acessibilidade para receber o melhor atendimento.